carro de fogo
e essa masmorra telúrica é circo & ópio
metempsicose poética: Rimbaud
vi teu Cristo louco na praça municipal
os mistérios anis
e o beijo do lagarto cósmico
os anjos estão bêbados sob sol sonolento
o povo vende amores prenhes
rodopios de horrores...terra e frutificações amareladas...
seu umbigo off é deleite
gotas de chumbo quente e o horror sobe pela lareira
e vi Cristo de novo: você não deve nada, cabra!
centopéias de quartzo tumultuam o paço
santidade inaudita
beijo vazio
e se tornou torvelinho
pedraria e vômito
te dou meu intimo
e você foi embora na caravana burguesa
e fiquei com ciganos
dentiçao de fogo me consome
tetas do acaso
lábios crispados
linhas cortam a língua
e esse amor búdico solidão
é chama azul
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